A tecnologia e os avanços dos aparelhos celulares vêm causando transtornos aos usuários do transporte público. Pelo menos a mim, o incômodo é diário e constante.Parece que algumas pessoas resolveram fazer dos trens e ônibus da cidade uma verdadeira “balada do transporte”.
São ritmos conhecidos e variados, sertanejo, funk, forró, axé, rap, se escuta de tudo um pouco e um pouco de tudo.
Pior do que a qualidade musical expressa pelos usuários, é a sua determinação de escutar tudo ao mesmo tempo. Chega até mesmo parecer uma verdadeira batalha musical.
E neste caso, quem pode mais, chora menos, pois quem tem o celular com maior potência de som ganha a batalha. E quem perde? Adivinha? São as outras pessoas – me incluo neste caso - que se encolhem em seus lugares e tentam inutilmente mais alguns minutos de sono até chegar ao ponto final.
Imagine uma balada que toque funk com rap, forró com axé, ou tudo ao mesmo tempo. Imaginou? Essa é a minha rotina.
Chego a pensar que os celulares perderam sua maior importância. Pra que falar com alguém, se podemos fazer todos nos escutarem.
Pra que serve o celular mesmo? Já nem sei mais, são tantas as funções deste pequeno aparelho, que hoje ele se confunde com outros. Acho até que já vem com canivete suíço. Se não vem, é uma opção.
Neste momento acredito que sua principal utilidade é ser um aparelho para expressar a ideologia ou gosto pessoal de música. Você já reconhece as pessoas pelo que ela escuta. Olha lá o funkeiro, lá vem o do forró, olha o pagodeiro chegando...
Não, eu não sou um chato que não gosta de música, muito pelo contrário, gosto sim e muito. Tudo bem, não gosto dos ritmos que citei acima, porém, mesmo que gostasse concordaria que 6 horas da manhã não é o melhor horário para escutá-las, e muito menos às 18, horário que nos encontramos, cansados, vindo de um dia estressante de trabalho, aborrecidos com o aperto e tendo que escutar:
“São as cachorras, hu, hu, hu, hu, as preparadas, hu, hu, hu, hu, as popozudas hu, hu, hu, hu, o baile todo...”, ou então, “Quem vai querer a minha periquita, a minha periquita”.
É, meu caro, vivemos em um país livre, o que é uma verdade, concordo e respeito a diversidade cultural, mas e o respeito que devemos ter com as outras pessoas que não querem ouvir este tipo de música?
Tenho até uma solução para isso, e pasmem não vai ter custo algum pra ninguém. É ele, minha gente, o bom e velho fone de ouvido, acessório atualmente obrigatório e gratuito para quem compra celulares que tenha rádios e mp3.
Bem, mas há algo intrigante em tudo isso, se o fone é gratuito, onde eles estão? Será que todos estão quebrados? Ou é melhor mesmo se equilibrar no balanço da condução com uma mão no ferro de segurança e a outra segurando o aparelho do transtorno?
Já pensei até em montar uma campanha dentro dos transportes. Seria mais ou menos assim: “se você tem educação, coloque o fonão” ou então “para não importunar quem vai trabalhar, desligue o seu celular”.
Tudo bem, tudo bem, talvez eu não seja muito bom em jargões, mas, por favor, eu peço com educação, você usuário da condução, respeite o cidadão. Este ficou bom, hein!?
Por Flávio Rocha
Ilustraçao: Flávio Leal
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