Em um minuto é impossível se fazer muitas coisas, há quem diga o contrário (nós, os tele-operadores). Mas para um profissional que trabalha em Call Center a palavra “não” é pecado e a religião adotada nas empresas desse ramo ortodoxas puritanas é viril. O atual modelo brasileiro instituído por lei adota que, o atendimento por meio do telefone tem que ser o mais rápido possível e de qualidade (não esqueçamos), exigindo assim que empresas que ofertam esse serviço se adequem para tal façanha. Sobrou para o operador. Stress, depressão e baixa estima rola solto nas centrais de atendimento.
Dias atrás soltei um “caralho” em voz alta diante da tela do computador, socando a mesa em seguida. Nunca havia me exaltado a tal ponto. Meu algoz, denominada supervisora, me fuzilou com seu olhar austero. Sempre fui um cara calmo, calado em meu canto. De pouco relacionamento. Nunca gostei de fofocas e conversar era o mesmo que saltar de pára-quedas (Pula... Pula!). Tinha que gostar muito de mim para encarar. Sim, após ter entrado nesse ramo mudei muito. Almoçar em 20 minutos, mais 10 para um lanche – senhora doutrina (Gisele buchos da vida adorariam. Mandem currículos!). Ontem bati meu Recorde: defecar – escovar os dentes – e tomar banho em menos de meia hora (calma, passei desodorante ta...!). Deplorável. Muitos que aceitam esse ofício desistem antes de completar o ciclo de um ano e meio (faça o teste: diga seu nome 90 vezes ao dia, durante esse período). Quem aguenta!!!
Ontem atendi uma senhora. Ela me solicitou seu saldo bancário. A cada nova solicitação vinha precedido o mesmo saldo, que já o dissera. Na quinta vez que ela solicitou o saldo, enlouqueci! Mesmo supondo que ela não ouvira o que eu já repetira me esgoelando, Meu Deus!... Comecei a tratá-la da mesma forma (as pessoas não gostam quando nós as tratamos da mesma forma) Brasileiro é mal acostumado! Como diria meu pai (ele vivia repetindo, sobre a louça que não lavávamos): “Só venha a nós, e o vosso Reino?”
Hoje atendo todo o Brasil, infelizmente nem todo o Brasil nos entende (ou seria atende?). Mas voltando à lei, já era hora. Existem empresas que, como a que eu trabalho, tentam se valer de qualquer brecha para se beneficiar. Contudo, como eu disse: pobre do cidadão que necessitado aceitou essa proposta “indecente” de emprego. Pois a lei visa a agilidade e qualidade do atendimento, mas se esquece de quem atende (qual seu nome mesmo?). Assédio moral, metas surreais (é mais fácil ir à lua do que vender um produto bancário), campanhas promocionais vexatórias (quase me fizeram usar peruca de palhaço um dia). Rola de tudo numa “P.A” (ponto de aborrecimento). É! Eu mudei. Ando sem inspiração no momento, por isso estou a escrever esse texto. Já estou nessa vida há mais de um ano e meio. Nem na estatística saio mais. Uma vitória? ... Entre mortos e feridos, UNIBANCO e ITAU se “fundiram”... com todo mundo. Mas não chorem, ainda não contei minhas aventuras enfrentadas dia a dia no trajeto casa- trabalho – faculdade. Vocês ainda não viram nada. Ah, e sobre a tiazinha lá..., é ela me deixou falando. (tu tu tu...)
Por Alexandre Oliveira
Dias atrás soltei um “caralho” em voz alta diante da tela do computador, socando a mesa em seguida. Nunca havia me exaltado a tal ponto. Meu algoz, denominada supervisora, me fuzilou com seu olhar austero. Sempre fui um cara calmo, calado em meu canto. De pouco relacionamento. Nunca gostei de fofocas e conversar era o mesmo que saltar de pára-quedas (Pula... Pula!). Tinha que gostar muito de mim para encarar. Sim, após ter entrado nesse ramo mudei muito. Almoçar em 20 minutos, mais 10 para um lanche – senhora doutrina (Gisele buchos da vida adorariam. Mandem currículos!). Ontem bati meu Recorde: defecar – escovar os dentes – e tomar banho em menos de meia hora (calma, passei desodorante ta...!). Deplorável. Muitos que aceitam esse ofício desistem antes de completar o ciclo de um ano e meio (faça o teste: diga seu nome 90 vezes ao dia, durante esse período). Quem aguenta!!!
Ontem atendi uma senhora. Ela me solicitou seu saldo bancário. A cada nova solicitação vinha precedido o mesmo saldo, que já o dissera. Na quinta vez que ela solicitou o saldo, enlouqueci! Mesmo supondo que ela não ouvira o que eu já repetira me esgoelando, Meu Deus!... Comecei a tratá-la da mesma forma (as pessoas não gostam quando nós as tratamos da mesma forma) Brasileiro é mal acostumado! Como diria meu pai (ele vivia repetindo, sobre a louça que não lavávamos): “Só venha a nós, e o vosso Reino?”
Hoje atendo todo o Brasil, infelizmente nem todo o Brasil nos entende (ou seria atende?). Mas voltando à lei, já era hora. Existem empresas que, como a que eu trabalho, tentam se valer de qualquer brecha para se beneficiar. Contudo, como eu disse: pobre do cidadão que necessitado aceitou essa proposta “indecente” de emprego. Pois a lei visa a agilidade e qualidade do atendimento, mas se esquece de quem atende (qual seu nome mesmo?). Assédio moral, metas surreais (é mais fácil ir à lua do que vender um produto bancário), campanhas promocionais vexatórias (quase me fizeram usar peruca de palhaço um dia). Rola de tudo numa “P.A” (ponto de aborrecimento). É! Eu mudei. Ando sem inspiração no momento, por isso estou a escrever esse texto. Já estou nessa vida há mais de um ano e meio. Nem na estatística saio mais. Uma vitória? ... Entre mortos e feridos, UNIBANCO e ITAU se “fundiram”... com todo mundo. Mas não chorem, ainda não contei minhas aventuras enfrentadas dia a dia no trajeto casa- trabalho – faculdade. Vocês ainda não viram nada. Ah, e sobre a tiazinha lá..., é ela me deixou falando. (tu tu tu...)
Por Alexandre Oliveira
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