ITAGYBA KUHLMANN é um referencial. Para quem não o conheceu (uma pena), ele foi além de poeta e criador de coelhos, onde até obteve prêmios, um exímio jornalista político, de crônicas sutis como um elefante à situações cotidianamente pitorescas do cenário político - brasileiro. Seu patrimônio intelectual não está editado. Ele nunca se propusera a tal façanha, mas suas crônicas e artigos estão depositados na internet, através do jornal FATO EXPRESSO que, aliás, o manteve quase que por si só, e pela revista, esta sim impressa, COMTEMPORÂNEA. Seu pseudônimo mais conhecido é o “Tio Marcos da Portela: - Aquele Abraço”
Itagyba participava do Coral Municipal de Embu das artes “Cantares ao Meu Povo” nome em referência a obra de Solano Trindade, sob regência de Wilma Abondanza (sua esposa) até 2008. Simples e sereno, sempre às ordens magistradas pela regente, dava o tom com sua voz grossa e veemente. Embalava os ensaios na Biblioteca Municipal Moacir F. Jordão, no centro do Embu.
Era uma diversão. Mais empolgante que as próprias apresentações. Sempre havia uma nova toada, com vocalizes e exercícios musculares a luz apagada (para não deixar ninguém envergonhado). Quando afinavam e executavam por completo uma obra como “Estrela Estrela” de Vitor Ramil ou “Cio da Terra” de Chico Buarque, uma paz assolava a sala fria e desconfortável que os abrigava. Era um esplendor. Nas apresentações Itagyba era acolhedor com seu sorriso discreto. Sempre recebia a todos como um “paizão”. Lúcido até o extremo e simples com seu ar poético, era o contraponto de Dona Wilma. Ela sempre brincalhona e extravagante com suas piadas e deixas. Professor por natureza, Itagyba sempre ilustrava sua conversa com política, cultura, jornalismo, e informática, já que ele era ‘expert’ em programação LINUX – UBUNTO.
A doença
Itagyba fumou por 45 anos. Esse vício o prejudicou, e um de seus pulmões o deixara na mão. Tempos difíceis contam, onde pensaram que ele não agüentaria. “BRAÇO DE PEDRA”: em tupi, "ita" é "pedra" e "gyba", "braço", assim o caracterizaram após esse episódio, pois o significado indígena do seu nome se fez valer neste momento. Parou de fumar e começou a buscar uma vida mais saudável: eles não usam forno microondas por precaução. Contudo, o destino ou acaso o levou novamente ao leito do hospital. Devido a sua debilidade física um tumor cresceria em seu cérebro. Os médicos indicaram que pelo nível de ramificações tal tumor poderia estar alojado de longa data. Essa ninguém esperava, já que por sua lucidez e inteligência algo como isso era impensável.
A descoberta
A partir de meados de 2008, alguns episódios na Prefeitura de Embu, onde prestou serviços até seus últimos dias o deixaram profundamente descontente e um enorme sentimento de impotência se apoderou dele. O encaminhamento da política local pode ter sido seu calvário. Nesse ponto já não tinha mais força e sempre tentava acalmara todos, dizendo que só precisava descansar em sua cama. Sua companheira Wilma, tentou de tudo para animá-lo. Em vão relembrava situações das quais passaram, para que pelo passado pudesse convencê-lo a lutar pelo presente.
O dia da certeza
A situação piorou. Logo já não conseguia forma uma frase, sempre lhe faltará a ultima palavra, muitas vezes o substantivo. Seu lado direito começou a não mais responder a seus estímulos. Com muito sacrifício segurava uma colher para tomar uma sopa, pois só este alimento conseguiria ingerir. Foi um mês muito difícil, deslocou-se varias vezes entre o pronto socorro e o Hospital para a realização de inúmeros exames antes de dirigir-se definitivamente ao Hospital Geral do Pirajussara, seu leito de morte. Na semana que dera seu internamento, veio a noticia. Um tumor. Seus familiares tentavam consolar Wilma que em prantos que não acreditava na real situação. Logo em seguida soube-se que o que se pensava ter sido derrame na verdade fora uma hemorragia intra-craniana muito grande motivada pelo tumor, essa responsável pela paralisação do lado direito.
Seus filhos revezaram-se para estar presente 24h no hospital, acompanhando-o e dando força na sua improvável recuperação. Foi quando no dia 04 de abril de 2009 veio a falecer, contraindo uma pneumonia hospitalar que complicara seu quadro já humanamente insuportável.
Suas lembranças trazem dor a seus familiares e amigos próximos, pois é difícil se separar de algo que faz tão bem. Contudo, fica a certeza que à muitos não se diz o mesmo. Ele fará falta!
ITAGYBA KUHLMANN, como dito no texto: O "Braço de Pedra" de Embu das Artes, por ESTÊVÃO BERTONI para a FOLHA (obituário), deixa sete filhos, 5 netos, noras, uma amada esposa.
Por Alexandre Oliveira
Itagyba participava do Coral Municipal de Embu das artes “Cantares ao Meu Povo” nome em referência a obra de Solano Trindade, sob regência de Wilma Abondanza (sua esposa) até 2008. Simples e sereno, sempre às ordens magistradas pela regente, dava o tom com sua voz grossa e veemente. Embalava os ensaios na Biblioteca Municipal Moacir F. Jordão, no centro do Embu.
Era uma diversão. Mais empolgante que as próprias apresentações. Sempre havia uma nova toada, com vocalizes e exercícios musculares a luz apagada (para não deixar ninguém envergonhado). Quando afinavam e executavam por completo uma obra como “Estrela Estrela” de Vitor Ramil ou “Cio da Terra” de Chico Buarque, uma paz assolava a sala fria e desconfortável que os abrigava. Era um esplendor. Nas apresentações Itagyba era acolhedor com seu sorriso discreto. Sempre recebia a todos como um “paizão”. Lúcido até o extremo e simples com seu ar poético, era o contraponto de Dona Wilma. Ela sempre brincalhona e extravagante com suas piadas e deixas. Professor por natureza, Itagyba sempre ilustrava sua conversa com política, cultura, jornalismo, e informática, já que ele era ‘expert’ em programação LINUX – UBUNTO.
A doença
Itagyba fumou por 45 anos. Esse vício o prejudicou, e um de seus pulmões o deixara na mão. Tempos difíceis contam, onde pensaram que ele não agüentaria. “BRAÇO DE PEDRA”: em tupi, "ita" é "pedra" e "gyba", "braço", assim o caracterizaram após esse episódio, pois o significado indígena do seu nome se fez valer neste momento. Parou de fumar e começou a buscar uma vida mais saudável: eles não usam forno microondas por precaução. Contudo, o destino ou acaso o levou novamente ao leito do hospital. Devido a sua debilidade física um tumor cresceria em seu cérebro. Os médicos indicaram que pelo nível de ramificações tal tumor poderia estar alojado de longa data. Essa ninguém esperava, já que por sua lucidez e inteligência algo como isso era impensável.
A descoberta
A partir de meados de 2008, alguns episódios na Prefeitura de Embu, onde prestou serviços até seus últimos dias o deixaram profundamente descontente e um enorme sentimento de impotência se apoderou dele. O encaminhamento da política local pode ter sido seu calvário. Nesse ponto já não tinha mais força e sempre tentava acalmara todos, dizendo que só precisava descansar em sua cama. Sua companheira Wilma, tentou de tudo para animá-lo. Em vão relembrava situações das quais passaram, para que pelo passado pudesse convencê-lo a lutar pelo presente.
O dia da certeza
A situação piorou. Logo já não conseguia forma uma frase, sempre lhe faltará a ultima palavra, muitas vezes o substantivo. Seu lado direito começou a não mais responder a seus estímulos. Com muito sacrifício segurava uma colher para tomar uma sopa, pois só este alimento conseguiria ingerir. Foi um mês muito difícil, deslocou-se varias vezes entre o pronto socorro e o Hospital para a realização de inúmeros exames antes de dirigir-se definitivamente ao Hospital Geral do Pirajussara, seu leito de morte. Na semana que dera seu internamento, veio a noticia. Um tumor. Seus familiares tentavam consolar Wilma que em prantos que não acreditava na real situação. Logo em seguida soube-se que o que se pensava ter sido derrame na verdade fora uma hemorragia intra-craniana muito grande motivada pelo tumor, essa responsável pela paralisação do lado direito.
Seus filhos revezaram-se para estar presente 24h no hospital, acompanhando-o e dando força na sua improvável recuperação. Foi quando no dia 04 de abril de 2009 veio a falecer, contraindo uma pneumonia hospitalar que complicara seu quadro já humanamente insuportável.
Suas lembranças trazem dor a seus familiares e amigos próximos, pois é difícil se separar de algo que faz tão bem. Contudo, fica a certeza que à muitos não se diz o mesmo. Ele fará falta!
ITAGYBA KUHLMANN, como dito no texto: O "Braço de Pedra" de Embu das Artes, por ESTÊVÃO BERTONI para a FOLHA (obituário), deixa sete filhos, 5 netos, noras, uma amada esposa.
Por Alexandre Oliveira
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